segunda-feira, 21 de julho de 2008

DorMente

Ela temia acordar.
Imaginava o que encontraria e não queria enfrentar agora.
Não queria enfrentar nunca.
Era assim que reagia sempre.
Trancafiava seus pensamentos, suas dores e sofrimentos numa mala.
E viajava com aquele peso a tiracolo por fantasias irrealizáveis.
Conseguia ficar imersa em delírios por horas infindas.
Não importavam as vozes, nem qualquer barulho.
Seu corpo não dormia, mas sua mente sim.
Dormia e sonhava.
Desenhava um mundo seu,onde as situações eram controladas a seu modo.
Mas sempre chegava a hora de acordar.
Acordar e ser alguém que não queria ser.
Acordar e querer voltar a mergulhar naquele espaço inventado
Onde nada despertava nela
A vontade quase irresistível de ser triste.

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