quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Tempo

De tempo em tempo
Me falta tempo
Pra ter mais tempo
De Te amar

Mas sou eu mesma
Em todo o tempo
Guardando o vento
Gastando o ar

Entristecida
Alegre, ativa
Dormindo tanto
Pra não cansar

Descanso tanto
Me odieio tanto
Te amo tanto
Que vou parar

De tempo em tempo
Me falta tempo
Sobra a vontade
De Te amar

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Desenhos

Escrevo como desenha e pinta uma criança.

Se faz arte, ela não sabe;
mas vibra a cada nova cor
que descobre ao misturar o guache.

Noções sobre simetria e formas, ela não tem;
mas sorri enquanto sopra com um canudo a tinta que dança
e cria um desenho próprio numa folha de papel.

Especialista em materiais, ela não é;
mas une raspa de lápis de cor, grãos,
barbante e papel picado num único desenho
e consegue achar tudo isso lindo.

É assim que eu escrevo!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Na Prova

- Terminou a prova do concurso da Caixa no mesmo horário que eu. Calçava um tamanco no qual mal conseguia se equilibrar e veio me pedir informações. Saímos da Faculdade Ademar Rosado e seguimos juntas até o ponto de ônibus na Frei Serafim. Saiu de Caxias (MA) para fazer a prova em Teresina. Falou que Caxias é a melhor cidade do mundo para se viver pois tem festa 'em todo canto'. Quando sua mãe está ocupada, a moça do tamanco alto leva a filha de apenas 4 meses para as 'serestas'. Só não leva para os bares porque teme o Conselho Tutelar. Reclamou da fome (havia saído de casa sem comer nada e esqueceu o bolo de chocolate que a mãe fez para seu lanche) e a deixei esperando o ônibus da empresa Dois Irmãos enquanto ela sonhava com a galinha caipira que o padrasto comprou para o almoço.

Classe(s)

- Desceu as escadas segurando delicadamente o corrimão, equilibrando-se em um salto deslumbrante. Pediu que eu segurasse seu iPhone enquanto pegava os óculos Gucci e as chaves da Hillux dentro da bolsa Prada. Ligou o rádio, detestou Chico Buarque e cantarolou os hits da Rihana e do Natiruts (reggae power chegou). Avançou alguns sinais vermelhos, mas ia devagar (quase parando) ao avistar um radar eletrônico. Pagou o estacionamento de um conhecido, me falou sobre trabalho, deu ordens, críticas e sugestões.
- Desci as escadas prestando atenção em tanta delicadeza. Vestia a blusa mais linda que a mamy já fez pra mim, um jeans de R$ 39,90 e um All Star xadrez. Levava na mão apenas uma camêra digital. Segurei o iPhone, ouvi críticas e sugestões, esperei um elogio que não veio e o início de uma cerimônia que atrasou mais de uma hora. Fotografei em meio a cotoveladas e empurrões dos jornalistas, não fiz perguntas, mas anotei todas as respostas. Desci da Hillux, corri pelas escadas, produzi a matéria, ultrapasei meu horário e voltei pra casa a pés.

Desconhecidos

- Um senhor moreno vinha pela ciclovia à qual eu atravessaria hoje pela manhã. Parei e ele passou pedalando: "Nota 10 pra essa sombrinha!". Sorriu amigávelmente e seguiu no cruzamento entre as avenidas Miguel Rosa e Valter Alencar.

- Ontem à noite chegaram juntos ao Atlantic Citty, roupa social e ar de cansaço mesclado ao de superioridade. O Túlio perguntou quem estava pregando e se a Aline estava lá. O Raffael respondeu e o chamou de desiludido. O Pablo perguntou pelo Fabiano Vasconcelos e falou que ele tomaria um susto ao encontrá-lo em Teresina. (Fabiano é do Rio de Janeiro e Pablo de Belém). O Pablo saiu pra conversar com outras pessoas. Minutos depois o Túlio foi atrás e não os vi mais.

Primos

- Ontem eu vi a Dagmar, minha prima. Chegou de viagem à tarde, quando eu estava no trabalho. Conversamos sobre trabalho, estresse, praia, igreja, Bíblia, Picos, Teresina, concursos, namoro, chifre, família e casa nova. Hoje ela acordou cedo, fez café, pegou um táxi pra UFPI, fez prova, voltou de carona até a Avenida Frei Serafim, pegou ônibus até o Dom Avelar e almoçou com a gente. Lembrou de uma comédia que assistimos na última vez em que ela esteve aqui e voltou para Picos à tarde.

- Hoje vi o Eulan, meu primo. Ligou avisando que chegaria em no máximo 1 hora e que estava doente. Chegou, me deu os parabéns novamente pelo pseudo aniversário, trouxe caixas e sentou em frente ao PC. Não contou novidades, não deu recados e eu saí pra igreja. Voltei, mas ele já havia se recolhido.

Sem Graça

- Ontem vi a tia Leo. Vestia uma blusa com estampa de oncinha, não parava de sorrir e disse que eu estava diferente. Anotou meu telefone, me deu o número dela e disse que precisava ir na Babylândia. Me abraçou, pediu que ligasse sempre que precisasse de qualquer coisa, atravessou a rua Paissandú e seguiu na rua Barroso em direção ao Norte.
- Vi também a Doutora Mirela. Perguntou como eu estava, me mandou deitar e esperar. Encheu minha boca de objetos não identificados, esbarrou em alguma coisa que não podia derramar (derramou!), e conversou com a assistente sobre o treinamento dos funcionários da nova clínica da família. Não usou algodão (a Dr. Ludmila usava uma carrada!), não cantou músicas antigas (a Dr Ludmila cantava!) e não marcou um próximo encontro (a Dr. Ludmila sempre marcava!).